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Covid-19 e os casamentos: os esclarecimentos da DGS e o impacto do novo coronavírus no sector

Covid-19 e os casamentos: os esclarecimentos da DGS e o impacto do novo coronavírus no sector

Saiba quais as recomendações dadas pela DGS sobre a celebração dos casamentos e uma visão geral de como a Covid-19 tem vindo a afetar o sector nupcial, quer por parte dos noivos, como fornecedores

Covid-19 e os casamentos: os esclarecimentos da DGS e o impacto do novo coronavírus no sector
Créditos: Mary Me Eventos | Foto: Meraki
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Começámos a ouvir falar dele no final do ano passado e hoje, infelizmente, o novo coronavírus SARS-CoV-2, causador da COVID-19, condiciona-nos o nosso dia-a-dia, obrigando-nos a andar de máscaras, a mantermos a uma distância física que não nos permite abraçar e a andarmos com gel desinfetante dentro da mala. Este novo agente que nunca tinha sido previamente identificado em seres humanos e que foi identificado pela primeira vez em dezembro de 2019, na China, na Cidade de Wuhan, virou-nos a vida de pernas para o ar, confinou-nos em casa, remeteu-nos ao teletrabalho (quando possível), obrigou as nossas crianças a estudarem à distância, fechou estabelecimentos comerciais e esvaziou as ruas, que ficaram despojadas de gente e de vida.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) começou por hesitar em utilizar a palavra “pandemia” para se pronunciar sobre o surto, mas a partir do dia 11 de março não teve como negar: estávamos perante uma pandemia.

E os números, infelizmente, não enganam: em todo o mundo há ao dia de hoje, 29 de junho, mais de 10 154 984 de casos confirmados de Covid-19, 502 048 mortes a lamentar e 5 147 436 milhões de recuperados. Em Portugal neste momento, há 41 646 infecções ativas, 376.815 casos suspeitos e já 27 066 pessoas dadas como recuperada. A lamentar, 1.564 mortes.

Coronavírus e o casamento

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Foto: Rui Teixeira Wedding Photography

A Zankyou contactou novamente a DGS para esclarecimento sobre a realização de casamentos e outros eventos de natureza familiar, incluindo também os batizados, pelo que passamos a transmitir na íntegra o que nos foi respondido.

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Antes, e resumidamente, pelo que podemos entender do que nos foi transmitido, sendo a recomendação o adiamento – (e citando) “julgamos adequado levantar a questão de que os casamentos, batizados, comunhões e similares, ao contrário dos funerais, são celebrações familiares adiáveis e que a decisão de manter a sua realização no contexto atual, implicará uma celebração que em pouco se poderá assemelhar ao que se vivenciava na época pré-pandémica” – os casamentos estão permitidos, sendo que (e citando) “é fundamental que tanto as entidades promotoras como as pessoas que pretendem realizar eventos na atual fase ativa da pandemia, ainda que de acordo com a legislação em vigor, façam uma avaliação ponderada do risco a que se estão a submeter, assim como aos seus familiares, demais convidados e outros participantes”. 

Por seu turno – e dado que não há referência direta a esta questão, remetendo-nos as orientações às mesmas da restauração – parece-nos não existir uma limitação de convidados, mas sim uma limitação de ocupação de 50%, sendo aqui válida então a norma da restauração, que permite ainda a lotação a 100% caso haja barreiras físicas a separar as mesas.

Finalmente, e sem prejuízo da adoção de medidas específicas para cada setor, reforça-se que os princípios definidos pelas recomendações gerais deverão ser permanentemente garantidos, nomeadamente: distanciamento físico (mínimo 2 metros entre pessoas, em todos os momentos); uso de máscara por todas as pessoas; cumprimento de medidas de etiqueta respiratória e evicção de contatos na presença de sintomatologia sugestiva de COVID-19; desinfeção e lavagem das mãos; higienização de superfícies.

Resposta da DGS à Zankyou

Revelamos na íntegra o que nos informou a DGS, reforçando a comunicação com imagens dos documentos referenciados, para melhor elucidação dos nossos leitores.

1. De acordo com o ponto 2, alínea b do Artigo 15.º da Resolução do Conselho de Ministros n.º 51-A/2020 de 26/06/2020 (disponível em: https://dre.pt/web/guest/home/-/dre/136788888/details/maximized)cabe à DGS definir as orientações específicas para os eventos de natureza familiar, incluindo casamentos e batizados, quer quanto às cerimónias civis ou religiosas, quer quanto aos demais eventos comemorativos.

2. Para os devidos efeitos, sugere-se a consulta do Guia de Recomendações por Tema e Setor de Atividade de 09/06/2020 (disponível em https://covid19.min-saude.pt/wp-content/uploads/2020/06/Tab-equivale%CC%82ncia-novo-formato-V5.11.pdf) – Outros setor de atividade: Eventos de natureza familiar (casamentos, batizados), sem prejuízo do disposto na referida Resolução do Conselho de Ministros.

3. Sem prejuízo do anterior, pretende-se salientar que as reuniões e celebrações de pessoas com laços familiares ou de amizade, nomeadamente a celebração de casamentos, batizados, comunhões e similares, acarretam riscos que são mais que a soma de todas as partes.

4. Importa reiterar que eventos de qualquer índole, em contexto de pandemia podem acarretar riscos acrescidos para a saúde pública, seja pelo inevitável ajuntamento de colaboradores durante a preparação e realização do evento, interação entre os participantes ou em relação às atividades concretas de cada evento. Especificamente, no caso das celebrações familiares, a componente emocional subjacente ao motivo que promove a realização do evento, é uma inegável realidade que acarreta comportamentos de proximidade, sendo a partilha tendencialmente inevitável, assim como a participação de membros de várias gerações, o que implicará a exposição de pessoas que, nem que seja apenas pela idade, pertencem a grupos mais vulneráveis a desenvolver doença grave no contexto de infeção por SARS-CoV-2.

5. Julgamos adequado levantar a questão de que os casamentos, batizados, comunhões e similares, ao contrário dos funerais, são celebrações familiares adiáveis e que a decisão de manter a sua realização no contexto atual, implicará uma celebração que em pouco se poderá assemelhar ao que se vivenciava na época pré-pandémica.

6. Posto isto, e assumindo que poderá haver pessoas que ainda assim optarão por não adiar as suas celebrações, é fundamental que tanto as entidades promotoras como as pessoas que pretendem realizar eventos na atual fase ativa da pandemia, ainda que de acordo com a legislação em vigor, façam uma avaliação ponderada do risco a que se estão a submeter, assim como aos seus familiares, demais convidados e outros participantes, visto que é inegável que aglomerados de pessoas acarretam riscos acrescidos quer para o indivíduo, quer para a Saúde Pública.

7. Importa ainda ter em consideração que, desde o alerta internacional sobre a COVID-19, a DGS tem vindo a emitir recomendações baseadas na melhor evidência científica à data da publicação das mesmas e de acordo com a evolução da situação epidemiológica, em consonância com as recomendações internacionais (OMS, ECDC, CDC e outros) independentemente do contexto, visando a minimização do risco de transmissão de SARS-CoV-2. Sem prejuízo da adoção de medidas específicas para cada setor, reforça-se que os princípios definidos pelas recomendações gerais deverão ser permanentemente garantidos, nomeadamente:

    • Distanciamento físico (mínimo de 2 metros entre pessoas, em todos os momentos);
    • Uso de máscara por todas as pessoas, sempre que se verifiquem aglomerados de qualquer dimensão (colocada adequadamente e em permanência);
    • Cumprimento de medidas de etiqueta respiratória e evicção de contatos na presença de sintomatologia sugestiva de COVID-19;
    • Desinfeção e lavagem das mãos (com água e sabão ou com solução antisséptica de base alcoólica – SABA);
    • Higienização de superfícies (O SARS-CoV-2 pode sobreviver nas superfícies e objetos durante tempos variáveis, que vão de horas a dias. É essencial serem garantidas medidas de higiene das superfícies de uso comum e toque frequente, de forma a diminuir a transmissão do vírus);
    • Estrita evicção dos aglomerados de pessoas (de acordo com a legislação em vigor).

Para mais informações consulte o site da Direção-Geral da Saúde através de: https://www.dgs.pt/corona-virus.aspx.

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Foto: Bruno Garcez

O que nos dizem os artigos citados pela DGS

No artigo 15º citado pela DGS, a alínea 3, lê-se: “Na ausência de orientação da DGS, os organizadores de eventos devem observar, com as necessárias adaptações, o disposto nos artigos 9º a 11º, bem como no artigo 17º quanto aos espaços de restauração nestes envolvidos, e os participantes usar máscara ou viseira nos espaços fechados”. 

E o que nos dizem os artigos de 9º a 11º?

1. Relativamente às regras de ocupação, permanência e distanciamento físico (Artigo 9º)

  • A afetação dos espaços acessíveis ao público deve observar regra de ocupação máxima indicativa de 0,05 pessoas por metro quadrado de área (que não não inclui os funcionários e prestadores de serviços que se encontrem a exercer funções nos espaços em causa)
  • A adoção de medidas que assegurem uma distância mínima de dois metros entre as pessoas, salvo disposição especial ou orientação da DGS em sentido distinto;
  • A garantia de que as pessoas permanecem dentro do espaço apenas pelo tempo estritamente necessário;
  • A definição, sempre que possível, de circuitos específicos de entrada e saída nos estabelecimentos e instalações, utilizando portas separadas

 

2. Relativamente às regras de higiene (Artigo 10)

  • Os operadores económicos devem promover a limpeza e desinfeção diárias e periódicas dos espaços, equipamentos, objetos e superfícies, com os quais haja um contacto intenso;
  • Os operadores económicos devem promover a limpeza e desinfeção, após cada utilização ou interação, dos terminais de pagamento automático (TPA), equipamentos, objetos, superfícies, produtos e utensílios de contacto direto com os clientes.

 

3. Relativamente às soluções desinfetantes cutâneas (Artigo 11º)

Os estabelecimentos de comércio a retalho ou de prestação de serviços devem procurar assegurar a disponibilização de soluções desinfetantes cutâneas, para os trabalhadores e clientes, junto de todas as entradas e saídas dos estabelecimentos, assim como no seu interior, em localizações adequadas para desinfeção de acordo com a organização de cada espaço.

Eis, entretanto, o que diz o Artigo 17º:

 

 

Sector unido

O sector, no entanto, não tem estado parado. Está e esteve sempre unido para dar resposta às novas exigências e preocupações dos noivos, para fazer pressão para se encontrarem soluções governativas face a esta crise provocada pela Covid-19 e para encontrar neste stand by novas oportunidades criativas. Tudo pelos seus noivos e para lhes proporcionar o seu dia de sonho. Porque não é um cliché: o grande dia é mesmo um dos mais felizes da vida de um casal e é vivido pelos protagonistas como um verdadeiro sonho.

A Zankyou esteve está também ao lado dos noivos e fornecedores nos momentos de incerteza, dando-lhes voz, proporcionando espaço para a divulgação de iniciativas, continuando a inspirar.

Hoje, damos-lhe uma visão geral de como a Covid-19 tem vindo a afetar o sector nupcial, revelando-lhe os resultados do nosso inquérito que, ao longo deste tempo, tem vindo a permitir-nos entender como todas estas circunstâncias estão a afetar os dois lados da moeda: noivos e fornecedores. Mas não só: contamos-lhe o que os nossos profissionais partilharam connosco num encontro realizado online e organizado pela Zankyou, que reuniu mais de 80 participantes, bem como as preocupações e perguntas dos noivos e as respostas possíveis, que foram apresentadas durante um WebTalk organizado por Tiago Correia da andIwonder wedding e Regina Martins da WENDY Creating Moments.

Inquérito Zankyou: a reação dos noivos e fornecedores à pandemia

A Zankyou quis saber qual o impacto da crise provocada pela Covid-19 nos noivos e fornecedores, realizando um inquérito através da sua plataforma, do qual obteve o feedback de mais de 350 noivos – alguns que se encontravam já na fase final de organização do seu casamento – e mais de 200 fornecedores. Através dos dados obtidos, podemos, assim, entender, com maior proximidade, a forma como esta pandemia está a afetar o sector nupcial e que ações se estão a realizar face à crise.

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Foto: Film Art Team via Wendy Creating Moments

As decisões tomadas pelos noivos perante a COVID 19

Desde que iniciámos o inquérito no início da pandemia, cerca de 60% dos noivos afirmaram ter decidido adiar a data do casamento, sendo que uma grande percentagem aponta a mudança para os meses de setembro e outubro de 2020 (23%) – o que eleva o valor dos respetivos trimestres, apesar dos outros meses dos mesmos representarem uma percentagem muito pequena. Seguem-se os dois primeiros trimestres de 2021, com maior preponderância para a primavera e incluindo ainda junho de 2021. Os meses de verão continuam na preferência dos noivos, sendo que um dado importante é que 13% dos noivos afirmam ainda não ter nova data.

De salientar que 84% dos casais que adiaram a data dizem estar preocupados com a eventual ausência de convidados.

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Decisão relativa à data do casamento
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Preponderância das novas datas escolhidas

Da percentagem dos noivos inquiridos saliente-se também que um valor considerável dos casais decidiu manter a data do casamento (32%) pelo menos numa fase inicial, sendo que 69% dos noivos dizem terem tido o apoio total dos seus fornecedores, que compreendem as suas inseguranças e oferecem soluções adequadas, nomeadamente flexibilidade para uma mudança de data.

Os casais começam, também, a optar por dias alternativos para celebrar o seu casamento, nomeadamente a uma sexta-feira e ao domingo, devido à procura que tem crescido para os últimos meses deste ano.

Resta salientar que só cerca de 5% dos casais decidiram cancelar a sua celebração, quer pelas suas próprias inseguranças, quer pelo receio de não terem convidados ou pela pressão de poderem estar a por em risco a sua família e/ou amigos, sobretudo todos os que pertencem aos grupos de risco.

Decisões dos fornecedores perante a COVID 19

60,9% dos fornecedores afirmaram possuir um plano de contingência face a esta crise. A maioria facilita, naturalmente, o reagendamento de datas, afirmando ser “muito importante transmitir calma, segurança e opções “.

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Resposta dos Fornecedores à Pandemia

As empresas mais afetadas pela crise da Covid-a9 são as que oferecem um serviço com produtos perecíveis, sendo estas as que mais se preocupam com a queda de rendimentos provenientes da realização de eventos. Estamos a falar, maioritariamente, de empresas de catering e de decoração floral, pois muitos já tinham investido na compra ou na produção da matéria-prima necessária para as celebrações que iriam acontecer no segundo trimestre de 2020.

Adaptação à “nova normalidade”

Mais de 90% das empresas criaram novas estratégias para adaptar o seu serviço a um modelo online, algumas delas oferecendo alternativas que lhes permitiram sofrer menos prejuízo:

      • Catering: muitas empresas iniciaram um serviço de catering ao domicílio, com serviço de entregas de comida, bebidas, toalhas de mesa e talheres especiais, cumprindo as medidas de segurança de higiene exigidas.
      • Wedding Planners e Decoradores: Muitos profissionais dedicaram-se a workshops online, quer dirigidos a noivos, como a fornecedores, para falar sobre as estratégias possíveis para enfrentar a crise e revelar tendências para criar um casamento de sonho.
      • Floristas e designers florais: Muitos profissionais aumentaram a sua oferta de serviço de entrega ao domicílio, na esperança de conferir alguma cor e vida ao recolhimento.
      • DJ e Live Music: Muitos profissionais fizeram sessões de streaming ao vivo, que ajudaram a entreter e a tornar o confinamento mais agradável.
      • Maquilhadores: Muitos profissionais ofereceram workshops online e tutoriais, quer para fornecedores, como para as noivas.
      • Designers de acessórios e vestidos de noiva: Muitos especialistas partilharam ideias para escolher o visual perfeito para as noivas.

Casar em pleno confinamento? Os noivos também se reinventam!

Não sendo possível a realização da celebração, já vimos que a tendência generalizada é adiar a data do casamento. Porque, na verdade, o amor não se cancela!

É claro que, no entanto, e ao nível emocional, o impacto nos noivos foi avassalador. Tanto trabalho e dedicação a pormenores, tantos planos e sonhos idealizados e, de repente, é preciso adiar o tão ansiado dia feliz! Mas a verdade é que a felicidade também se pode reinventar. E foi o que muitos noivos fizeram pelo mundo inteiro, encontrando alternativas para realizarem uma cerimónia, apesar das evidentes condicionantes, mantendo a promessa de uma grande festa, assim que for possível realizá-la. Porque o que não conseguimos celebrar hoje, festejaremos amanhã, com mais alegria e ainda maior intensidade, pois haverá muitos mais motivos para celebrar!

Na Zankyou demos a volta ao mundo para encontrarmos inúmeras histórias inspiradoras de casais que optaram por celebrar o casamento apenas no registo civil ou na igreja (com as devidas condicionantes e em países onde lhes foi permitido) ou simplesmente em casa, apenas a dois ou utilizando os meios digitais para poderem partilhar o momento com as suas pessoas mais próximas.

Leia tudo aqui: Casamento adiado: as alternativas encontradas por casais do mundo inteiro para dizerem o “Sim”!

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Foto: Bruno Garcez

Veja também a história por detrás da foto acima: Casar em Portugal em tempos de COVID-19: a bonita história de um amor não adiado

Reunião online profissionais: as preocupações, recomendações e soluções dos fornecedores

A Zankyou reuniu mais de 80 profissionais num webchat online, onde durante mais de 3 horas foi possível perceber a forma como o sector tem vindo a lidar com toda esta situação provocada pela Covid-19, proporcionando a partilha do feedback que os fornecedores de diferentes áreas estão a ter dos noivos e as soluções que têm apresentado, bem como o que perspetivam para o futuro.

O painel de “oradores” contou com profissionais de várias áreas: o prestigiado consultor António Paraíso, os fotógrafos Rui Teixeira e Hélder Couto, os estilistas Gio Rodrigues e Cristina Campos, os Wedding Planners Rui Mota Pinto, Paula Grade da Algarve Wedding Planners e Maria Luís Teixeira, da Mary Me Portugal Weddings. Da área da decoração tivemos a representação de Ismael Mateus, da EVENTOS PRIVÉ e do Design e Gráfico e do Design de Jóias Maria Leão Torres, a Diretora Criativa da Leão Creative. Também nossos convidados foram a Imppacto, Catering e Eventos, da área do Catering, e os hotéis Ocram e Corinthia. A representar a Zankyou esteve a Diretora de Portugal Cristiana Simões e Diretor comercial da Zankyou Weddings, Lúcio Gomes. A moderação esteve a cargo do nosso sales manager Lourenço Pereira.

Travar a fundo

A Covid-19 entrou nas nossas vidas como um tsunami e na indústria do casamento – que contribui com 0,5% para o PIB nacional, graças a um volume de negócios superior a 900 milhões de euros, empregando milhares de pessoas – o impacto foi impressionante. Como disse Cláudio Souza, da Imppacto, Catering e Eventos, “esta pandemia mexeu em todas as bases e alicerces do ser humano, é uma crise que está a abranger todo o Globo, todas camadas de economia, todos os mercados. No caso dos eventos e casamentos, era um ano que se adivinhava maravilhoso e ninguém esperava que fossemos apanhados nesta situação. Tínhamos grande eventos programados, estamos a zero. É como um carro de Formula 1 que tem um grande arranque e que, de repente, para“,  afirma.

É o caso também do Corinthia Hotel, tal como nos contou Cristina Marinho: “Estávamos com imenso trabalho, e de 90% passamos a 10% e depois tivemos que fechar”. Assim como tantas outras empresas do sector, que de acordo com um estudo da Exponoivos, reduziram a sua faturação (86%), entraram em layoff (65% ) e procederam a redução salarial (35%).

“Tivemos de estar em casa a readaptar, não baixando os braços. E continuar a comunicar a marca, disse Cristina.

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Corinthia Hotel Lisbon

Comunicar: a palavra de ordem

De facto, uma das principais elações retiradas desta reunião foi a necessidade de comunicação. O consenso foi geral: nunca foi tão importante estar em contacto não só com o cliente final, mas também com os outros colegas do sector, que precisa de estar –  e está! – mais unido do que nunca, para poder dar resposta às necessidades dos seus noivos.

Como nos disse António Paraíso, é preciso comunicar a marca, para não se esquecerem dela. É fundamental. É a essência do negócio. É o que nos distingue do cliente do lado. A marca é pessoal e vivemos do que sabemos fazer. Não vendemos produto, mas sim serviço, que depende do prestador. A marca comunica a nossa diferenciação. E as marcas criam um vínculo emocional com os públicos”.

Também Maria Leão Torres enfatiza que “os noivos precisam neste momento de manter a magia e que o casamento não fique marcado pela crise”, salientando que este “é o momento para as marcas se relacionarem com os clientes e revelarem a sua própria história, como é que se construíram, qual o seu valor acrescentado. E fazer uma comunicação emotiva, próxima, com bons conteúdos, sinceros, que revelem a sua essência, evidenciando o sentimento de orgulho pelo seu trabalho, para que sejam os noivos também eles os embaixadores das suas marcas”.

Cristina Marinho salientou também que, durante a pandemia provocada pela Covid-a9 continuou a contactar os clientes que tinham pedidos, demonstrando-se flexíveis sem penalizações. “Pegar no telefone para saber os clientes como estão; preocuparmo-nos com os colaboradores, fornecedores e parceiros”, contou, salientando que nestas alturas é preciso ser solidário, “participar em webinars, ver o que mercado anda a fazer e mantermos disponíveis e reorganizarmos”. 

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Créditos: Leão Creative | Foto: Tree Wishes

O online: mais perto de todos

O canal mais utilizado e adequado para esta comunicação de proximidade é, naturalmente e cada vez mais, o online. “E o que nos dizem os dados é que se está cada vez mais na Internet”, explicou Lúcio Gomes, Diretor comercial da Zankyou. Com efeito, durante estes tempos de confinamento imposto pela Covid-19, naturalmente que o movimento da Internet duplicou a nível de redes sociais e – mais importante ainda – houve uma alteração do paradigma tecnológico que levou as empresas em todos os sectores – incluindo eventos e casamentos – a apostar muito mais no online.

Por seu turno, houve necessidade das empresas se adaptarem, trabalhando à distância, e ao fazê-lo deram-se conta das vantagens que esta forma de trabalho traz ao seu próprio negócio. Rui Teixeira, por exemplo, pondera trabalhar no futuro de uma forma diferente. “No meu estúdio eu tenho um espaço dedicado aos noivos, uma sala muito bonita, de cinema, e até agora eu pensava que este espaço era parte fundamental na decisão do casal, pela experiência que proporciona, mas a verdade é que fechado em casa, felizmente, tive reuniões praticamente todos os dias e, sinceramente, a taxa de sucesso de marcação continua a mesma”, partilha, continuando: “As pessoas habituam-se facilmente ao online e estou a pensar seriamente em fazer muito mais reuniões online, porque é mais cómodo para mim e mais cómodo para o casal”, conclui.

Já Helder Couto diz que é “mais da velha guarda”, e que gosta muito do contacto, tanto que está a investir num novo estúdio, que considera ser uma mais-valia.

Juntar o melhor dos dois mundos, parece-nos a nós bem. Porque, como disse Lúcio, “houve um salto tecnológico, demos um passo em frente e creio que já não se vai voltar atrás”. E a pensar na necessidade tecnológica de avançarmos e pensarmos no futuro, a Zankyou tem aproveitado para desenvolver a sua plataforma, nomeadamente a sua aplicação móvel, “porque a maioria dos noivos interage através do telemóvel”, dando um salto qualitativo para ser “muito mais divertida, intuitiva, encaminhando os noivos aos fornecedores adequados para dar um lead de qualidade”.

Até porque os hábitos, na realidade, já estavam a mudar. “O algoritmo do Google media parâmetros muito quantitativos, agora mede a parte qualitativa”, realçou Lúcio, continuando: já é muito personalizado, tem em conta os gostos reais dos consumidores, a interação final do consumidor, e por isso na Zankyou reunimos um conjunto de profissionais especialistas em SEO, SEM e redes sociais que trabalham todos os dias para gerar o melhor contacto e experiência possíveis entre noivos e fornecedores”.

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Foto: Helder Couto

O que dizer aos noivos?

Se é preciso comunicar, também é preciso saber o que comunicar e como comunicar. Entre os participantes, a opinião é consensual: aos noivos é preciso passar uma mensagem de segurança e tranquilidade, mas com honestidade. “Porque estamos todos no mesmo barco”, como disse – e bem – Maria Luís Teixeira. “Mais do que positivos, temos de ser seguros e confiantes e transmitirmos essa segurança e confiança para os clientes. Porque nada é seguro e nada é confiável nesta altura. E é isso que devemos dizer: tudo é imprevisível, mas não se preocupem porque nós estamos aqui para resolver tudo o que for preciso“, partilhou.

E o que foi mais preciso fazer nestes últimos meses? Alterar datas. Adiar o sonho. Mas sem precipitações. “Nós mantemos a data e temos um plano B”, diz Maria Luís Teixeira em relação ao que tem estado a fazer, explicando que, assim, se os noivos quiserem adiar já têm tudo preparado com os fornecedores, “que têm sido incansáveis”. “Não estamos a adiar antes do tempo, estamos apenas a salvaguardar no caso de termos de fazer isso.“, explicou, detalhando: “Nós temos de transmitir a nossa sabedoria, o nosso know how, com segurança e tranquilidade, para que os noivos saibam que nós não controlamos a Covid-19, que isto é uma situação prejudicial para todos, e que não estamos a iludi-los, a dizer-lhes que vai ser possível. Estamos a garantir que, se não for possível, nós temos a solução. E é esse o nosso trabalho e é esse que acho que todos nós enquanto organizadores de eventos devemos manter“, rematou.

Lúcio Gomes acrescenta que, de facto, é preciso “comunicação tranquila e honesta, porque já há muito ruído no ambiente” e dar uma visão a meio prazo, “porque todos estamos conscientes que estamos num sector que vai existir sempre, o de eventos e casamentos, porque é algo que está inerente ao ser humano: a festa, celebração”. 

Também Cristina Marinho comenta: “Devemos traçar o nosso caminho e linha de comunicação, passando a imagem que o sector está unido. Nutrimos dos conhecimentos necessários para traçar esse caminho, executá-los, escolher os canais certos, para comunicarmos com os públicos certos.“.

Entretanto, Paula Grade trouxe a debate outra questão: e os estrangeiros que vem casar a Portugal? Sabemos que o Algarve é um dos destinos de eleição e para esta Wedding Planner a opção passa por adiar, sem plano B. Antes prefiro não fazer um casamento do que o casal que vem casar não ter a experiência que está à espera de ter. E não sabendo o que se vai passar, é muito complicado estarmos a dizer às pessoas ‘sim, vai correr bem’, ‘sim venham casar.’

Por seu turno, Rui Mota Pinto alerta para um ponto fundamental: “Cada um tem o seu próprio nicho de mercado e esse nicho tem uma maneira de ser própria. Eu tenho uma imagem. Eu não posso, por causa disto, alterar totalmente a minha imagem, porque o meu nicho continua a ser o meu nicho. E eu acho que era também importante aprendermos a comunicar nesse sentido, ou seja, readaptarmo-nos, mas não perdermos aquilo que é a nossa identidade de trabalho.” 

Cristina Marinho também concordou: Não devemos deixar de ser quem somos e perder a nossa identidade, devemos continuar a trabalhar na linha que sempre fizemos, para podermos estar em grande e no topo na cabeça dos nossos clientes”. 

Segundo António Paraíso, é preciso a diferenciação e valor.“O dinheiro que nos pagam é que nos reconhece o valor. O preço é troca de valor. Eu tenho que pensar qual é o meu valor e que novo valor eu tenho de lhes dar. E isso exige, surpreender, encantar e deliciar. Não é fácil, mas é possível”.

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Créditos: Mary Me Eventos | Foto: Meraki Studio

Oferecer flexibilidade & trabalhar em conjunto

E se há algo que é preciso oferecer aos noivos é flexibilidade na remarcação de novas datas. E todos os fornecedores concordam que devem trabalhar, em conjunto, para o facilitar. “Nós temos aqui uma oportunidade única de criarmos um trabalho em comunidade. De, finalmente, aproveitarmo isto tudo para nos juntarmos, para trabalharmos em conjunto, e de termos uma noção de que não podemos só pensar em nós”, afirmou Rui Mota Pinto, destacando a importância de transmitir aos casais que nem todos os fornecedores têm a mesma estrutura e que é possível que alguns tenham, por exemplo, de cobrar um extra e outros não. “Nós temos de saber defender os nossos colegas de trabalho”, diz, acrescentando que, antes de falar com os noivos é preciso fazer “um trabalho de casa”, isto é, falar previamente com os parceiros e ver quais são as suas políticas. “Este é um tempo para mudarmos o paradigma da nossa indústria. Percebermos o verdadeiro sentido de comunidade, de trabalho em conjunto. Percebermos que o sucesso do nosso “concorrente” corresponde ao crescimento do nosso mercado, do nosso mercado como destino, da nossa “fama” como indústria. Este é um momento de nos repensarmos, de apostarmos em novos modelos de negócio, mas também de passarmos a contribuir de forma mais ativa para o mercado no seu todo! Uma indústria forte só existe com a força dos seus players enquanto grupo e não isoladamente”

E todos estão certos que este é o caminho. “Nós temos que trabalhar juntos, temos de estar juntos, temos de ser globais”, diz Paula Grade. Também Helder Couto diz “é importante que haja uma união entre nós para ser mais fácil remarcar as datas, sermos flexíveis”Rui Teixeira salienta que “não podemos ser egoístas e pensar apenas em nós”, sugerindo uma forma de conseguir facilmente uma nova data para os noivos, mantendo os profissionais já contratados: “A recomendação que eu faço aos noivos é que façam um email que inclua todos os fornecedores e onde cada um deles possa dizer as datas em que está ocupado, ao contrário da pergunta que fazem a maior parte dos noivos. Assim, se todos nós pusermos as datas em que estamos ocupados é mais fácil encontrar uma data. Isso tem resultado em pleno com todos os casais”.

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Créditos: Rui Mota Pinto | Foto: Pedro Bento

Reinventar-se em tempos de Covid-19

Como nos disse António Paraíso, há duas coisas a fazer quando surge, repentinamente, uma situação como esta que paralisou todo o sector: pensar no imediato, no que posso fazer com o que tenho. E isso passa por estudar, ler, ver como é que nos vamos reinventar e planear o futuro. Porque, “quando eu vou voltar ao mercado, quero surpreender. E eu vou ter de voltar como uma novidade. Os clientes, os parceiros, vão ter de ficar de queixo caído. É preciso que o público fique deliciado. Porque o negócio da prestação de serviços é como o teatro e nele devemos inspirar-nos”, disse-nos, explicando a analogia: “Os clientes são o público, que sai de casa, que compra o bilhete e vai ver a peça, pelo que merece um bom espetáculo. E os prestadores de serviços têm de fazer tudo para dar um bom espetáculo. Só pode estar no palco quem tem talento e formação”, explica, salientando que, no teatro, os bastidores são importantes para que tudo corra bem, pelo que é importante também cuidar dos bastidores.

Foi o que fez Gio Rodrigues, reinventou-se. “Mas sem deixar de fazer o que fazemos e fazemos bem”, acrescenta. Com efeito, com a Covid-19 – para além de ter reunido recursos para uma vertente solidária, utilizando o seu conhecimento e o seu nome para fazer e doar material de proteção para médicos – o estilista português acrescentou mais um talento à sua longa carreira: fazer máscaras de proteção. A partir de uma necessidade pessoal, quando percebeu que não conseguia andar com as máscaras cirúrgicas, teve a ideia de proteger-se a si e aos outros, de forma saudável e esteticamente agradável. Hoje, as máscaras Gio Rodrigues são certificadas e têm tido uma grande adesão.

De qualquer forma, o estilista não baixou os braços na sua área profissional e continuou a trabalhar como se nada estivesse a acontecer. A iniciar jápreview da sua coleção 2021, partilhou nesta reunião que readaptou o seu plano de marketing, mas que não o vai deixar de fazer. “O desfile não foi feito, mas vou fazê-lo em setembro. Pode ser sem pessoas, ter de reinventar, mas a comunicação deve sair cá para fora”.

E como diz Ismael Mateus, “A arte é a nossa maior aliada nos tempos em que vivemos. Ela permite-nos criar e reinventar o melhor de nós próprios. Podemos neste momento não conseguir concluir os eventos no modelo que os noivos idealizaram, mas a arte permitir-nos-á oferecer um evento melhor do que sonharam.”  

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Coleção 2021 Gio Rodrigues

Preparar-se para a reabertura

Segundo Ismael Mateus, este momento de crise fez repensar o negócio, sendo incentivo para criar. Porque “a arte é a maior ferramenta do ser humano e nós temos um pouco de artista”. Por isso, “este é o momento de por a nossa arte para fora, mostrar o nosso poder criativo. Dedicarmo-nos aos clientes, aproveitar os conteúdos e, acima de tudo, reinventar”. Assim, na EVENTOS PRIVÉ manteve-se a positividade sobre o assunto e já existem muitas novas ideias, estando ansiosos por apresentá-las aos noivos. “Há muitos noivos que ainda querem casar este ano e querem uma solução este ano”, comenta, pelo que se encontram muito mais direcionados para estes noivos, do que a quem vai casar em 2021. “Os noivos estão a fazer um esforço de casar este ano. Pode não ser o que imaginaram, mas melhor do que eles sonharam”, conclui.

Já Cristina Campos diz que está a fazer o que sabe fazer, mas já para 2021: “Estou a procurar fazer peças muito mais elaboradas, mais criativas, que permitam na hora em que abrir o negócio oferecer peças completamente diferenciadas, para que possa levar o valor que eu pretendo”. Porque o casamento não vai terminar, “os noivos sonham com este dia, com a união de duas pessoas que se amam e que querem transformar a sua vida numa só, partilhando o momento da celebração com família e amigos, divertindo-se e trocando emoções e sentimentos”. E confessa: “Pior que não ter ideias é decidir um caminho errado”.

Também Cristina Marinho acredita que 2021 será o ano mais forte. No segmento de luxo usar máscaras, luvas e viseiras? O buffet deixa de servir?“, questiona. O positivismo, no entanto, mantém-se: Os casamentos vão continuar a acontecer, só temos de prepará-los para quando começarem a acontecer”, tendo a consciência que “num primeiro momento vamos ter de trabalhar de uma forma diferente, revendo as capacidades do nossos espaços  – que agora é de 550 pessoas e certamente vai ser inferior – para além de obrigar a uma série de exigências de higiene, que na hotelaria já existem mas que agora teremos de partilhar com o cliente, que vai querer sentir-se seguro. Adaptarmo-nos ao que for exigido com o nosso negócio, porque a nossa vida de repente mudou, mas cá estamos para aguentarmos, reinventarmo-nos e adaptarmo-nos”.

Já Cláudio Souza diz que “as datas de 2020 vão esbarrar com 2021” e que vão ter de se adaptar o seu serviço para outros dias da semana. “É uma readaptação total do mercado e das datas”, afirma. É claro que nesta reinvenção têm também já novas ideias, até porque estão habituados a mudanças: ao longo dos anos têm surgido inúmeros desafios, como restrições alimentares, vegans, etc. “Estamos abertos. Estamos positivos, temos força. É uma questão de consciência, ficarmos primeiro no nosso mundo, para depois abrir para fora, comedidamente, comenta, relembrando que não devem achar que vai ser tudo fácil, pois julga que as pessoas vão ter receio, sobretudo em relação aos grupos de risco, de mais idade. “Vamos ter menos convidados”, relembra também, salientando que “estão a preparar a higienização, porque embora em serviço de catering já esteja tudo higienizado, vai ter de se aumentar mais ainda”.

“Temos ‘sorte’ de estarmos a viver o que estamos a viver, porque estamos preparados para outras crises que aí vieram, já que igual a esta será difícil”, comenta Marco Rodrigues do grupo Ocram.

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Créditos: EVENTOS PRIVÉ

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Webtalk: Tive que adiar o meu casamento. E agora?

Em coerência com a mesma linha de pensamento que se partilhou no encontro online de profissionais proporcionado pela Zankyou, em que se determinou que a comunicação é essencial, Tiago Correia da andIwonder wedding e Regina Martins da WENDY Creating Moments juntaram-se para organizar um webtalk dirigido a todos os noivos que tiveram de adiar os seus casamentos, respondendo às suas inquietações, dúvidas e procurando oferecer soluções e ideias para resolver eventuais dificuldades na reorganização do casamento.

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Tiago Correia da andIwonder wedding e Regina Martins da WENDY Creating Moments  | Foto: Minimal Photo

Regina Martins aproveitou para partilhar a sua experiência enquanto wedding planner nestes últimos meses de Covid-19, “que têm sido diferentes” e durante os quais tem estado muito com os noivos e com os parceiros – com quem, aliás, tem aprendido bastante – trabalhando novas ideias e ao mesmo tempo tentando lutar para que tudo corra pelo melhor, amenizando toda esta situação.

E começou logo com um primeiro conselho fundamental: RESPIRAR. “Isto já é algo que eu faço com os meus noivos de organização total: quando eu vejo que os noivos estão a ficar bastante ansiosos, eu digo ‘não, vamos parar’, acabou agora o casamento por aqui, vamos respirar, vamos acalmar, vamos pensar, porque de cabeça quente não se tomam boas decisões

Tiago, inclusivamente, salientou que eles próprios, na andIwonder, tiveram de parar, respirar. Porque se, numa primeira fase, a pandemia parecia estar lá longe, e numa altura em que pensávamos que não nos ia afetar, de repente viram-se a braços com a necessidade de tomada de decisões difíceis. “Imagino para quem está na organização de um casamento, que é algo muito complexo”, comentou.

“Sim, porque é muito pessoal”, comentou Regina, que admitiu que lhe custou muito não estar perto das suas noivas e ter só reuniões online. “Mas a verdade é que com as videochamadas temos aprendido outras formas de comunicar e que podemos estar mais vezes, e mais facilmente, próximos uns dos outros”, acrescentou.

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Regina Martins

Por onde começar a (re)organizar

Passo 1: Portanto, o primeiro ponto que Regina foca e que aconselha é parar para respirar, pensar e organizar. E ter um Plano B, definindo uma nova data, que pode ser ainda para este ano, para os primeiros meses do próximo ano ou para o verão de 2021 ou até mesmo 2022. E depois de tomada esta decisão, começar a organizar.

“Eu aconselho a todos, nesta primeira fase, a fazer um Excel com a listagem de todos os fornecedores, os que ainda faltavam contratar, os que já contrataram, aqueles aos quais já deram sinal, quanto deram de sinal, etc., para conseguir gerir todo o budget”, explica.

Depois, e ao nível dos convidados, fazer também fazer uma listagem de a quem é que já foi enviado convite e a quem não foi. “Fazer um levantamento de dados, um ponto de situação. Ver o que está feito e o que falta fazer”, resume Regina, que defende que os noivos devem ter um calendário e um bloco de tarefas só para o casamento. “

Passo 2: Tentar manter na nova data todos os fornecedores já contratados ou escolhidos. “Este planeamento da nova data tem de ser feito em equipa, em conjunto”, salienta Regina. E aqui os noivos vão ter de tomar decisões importantes, caso não seja possível manter exatamente os mesmos profissionais para a nova data pretendida. E aqui, há duas opções: ou encontrar uma data que não a pretendida – para mais tarde, por exemplo – e assim garantir todos profissionais; ou optar pela data disponível para o fornecedor que não querem mesmo perder, seja porque são mesmo fãs do seu trabalho, por questões económicas ou até pelo facto desse fornecedor ter sido o que mais tem estado do vosso lado. “Depende de caso para caso, mas imaginemos que estavam indecisos entre o fotógrafo e a quinta e optaram pela quinta, mas adoram aquele fotógrafo e queriam mesmo um registo daquele fotógrafo. Porque não ter uma opção para o dia de outro fotógrafo, mas aproveitar esse fotógrafo para no dia em que ia ser o casamento fazer uma sessão, uma celebração, com todas as medidas de segurança?”, sugere Regina. “Podem celebrar a data só os dois, fazer um elopement”, continua, dando um exemplo de um casal, que ia casar pelo civil, a quem deu a ideia ir para uma montanha, trocar votos, criar um cenário bonito e plantar uma árvore. E o fotógrafo estar lá, para registar o momento, ficando assim a data inicial do casamento eternizada. Em vez de um dia especial, porque não ter dois dias especiais? E daqui um ano, faz-se a festa!”.

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Bonito cenário do Webtalk: Tive que adiar o meu casamento
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Detalhes do cenário do Webtalk: Tive que adiar o meu casamento

As perguntas dos noivos

O propósito deste webtalk foi esclarecer os noivos e responder às suas perguntas. Por isso, aqui ficam as principais questões colocadas e as respetivas respostas.

1. “Nós temos os convites feitos e impressos, mas não os enviámos, o que fazemos?

Criatividade é a solução. “Sugiro que falem com o vosso designer, quem vos fez os convites e porque não fazer um remendo engraçado ou brincar com a situação?”, sugere Regina. “Fazer um risco, por exemplo, e colocar outro papel à frente a dizer algo como ‘não aconteceu, mas vai acontecer, estamos aqui e ainda vai ser mais giro”.

2. Como dizer a alguns convidados que já não podemos ter todos presentes (caso haja limitações)?

Para já, é preciso calma. E respirar. Porque ainda está tudo indefinido. Sabemos que há limitações, mas ainda não sabemos bem. “Por isso vamos acalmar, vamos respirar e esperar por novas decisões”, diz Regina, que avança, no entanto, uma solução para esta que será, certamente, uma situação complicada. “Num casamento com quase 300 pessoas podemos manter a igreja e a quinta para os convidados mais idosos e marcar uma outra data para amigos, primos, pessoas mais novas, num local ao ar livre, onde se faz uma troca de votos, com um oficiante, e recorre-se a um género de um piquenique ou um jantar volante. E depois, claro, uma festa”. Como acrescentou Tiago: segmentar por faixas de idade.

3. No caso de já termos enviado os convites, como podemos comunicar a nova data?

“Mesmo que a data ainda não esteja decidida, os convidados estão todos ansiosos por saber notícias, se o casamento vai ou não vai acontecer”, responde Regina. Por isso, aconselha que se coloque sempre os convidados ao corrente, mantendo o contacto com eles, porque as pessoas planeiam comprar roupa, comprar sapatos, uma prenda, etc. E enviar-lhes uma mensagem bonita, com uma imagem, com os nomes dos noivos ou monograma, a dizer que o casamento vai ser adiado, ainda não tem data, mas vai acontecer. “É um save the date, mas ao contrário”, disse, ao que uma noiva respondeu que “enviou um change the date

Não esquecer também os convidados que vem de fora, que já tem alojamento, viagens marcadas”, alerta Regina. “É preciso entrar em contacto com eles, estar solidários com a situação, ver se o seguro da agência de viagens vai cobrir o reagendamento, etc.”

A Regina aconselha e nós também: porque não criar um site gratuito na ZankyouAssim, podem ir mantendo os convidados a par de tudo!

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Decor do Webtalk: Tive que adiar o meu casamento
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Detalhes do Webtalk: Tive que adiar o meu casamento

4. Será que as pessoas vão estar realmente tranquilas em ir ao casamento? 

Esta é uma das grandes preocupações dos noivos, como se viu pelo inquérito realizado pela Zankyou sobre o impacto da Covid-19. “E assim eu já não vou saber quem vai por obrigação porque não tem coragem para me dizer que não ou vão arranjar uma desculpa para não ir”, comenta Regina, salientando que, por isso, é que é importante irem mantendo o contacto direto com as pessoas. E Tiago diz mesmo: “Porque não perguntar diretamente, ‘sentes-te bem em ir’?” 

“Se forem dando notícias, explicando que já falaram com a quinta e que a quinta tem todas as condições e que os fornecedores respeitam as normas exigidas, só o facto de estarem preocupados com eles e irem transmitindo essa preocupação vai fazer com o que os convidados se sintam mais seguros, enfatiza Regina.

5. E será que vamos estar confortáveis para dar abraços? Como fazer um casamento sem dar abraços?

“Essa é a questão difícil e que nos vamos ter de adaptar durante uns tempos”, confessa Regina, salientando que, no entanto, há sempre alternativas. “Podemos dar abraços por trás e vamos ter outro tipo de sorriso, que vai valer muito mais, com o olhar. A verdade é que vai haver uma mudança, não só nos casamentos, mas no dia-a-dia. E há tanta forma de celebrar. Nós estamos habituados aquele casamento em que ‘já sabemos para o que vamos’, mas é o vosso dia, criem-no vocês, não precisa de ser o casamento estereotipo a que estão habituados, igual ao dos vossos pais, avós, primos… Pode-se fazer o que se quiser, desde que seja uma celebração bonita e que vocês se identifiquem com ela. Por isso, com tempo, fazem-se casamentos únicos. E as pessoas vão estar de mentes mais abertas para fazer coisas diferentes.

Tiago enfatiza ainda esta questão do tempo. “O tempo permite ir buscar ideias que surgiram a meio do percurso e que não se ia ter tempo para executar. Por exemplo, os sapatos personalizados demoram muito tempo a fazer e quando temos menos tempo é quando temos menos oportunidade de fazer algo original, porque temos que nos cingir aos moldes que existem, às cores que existem, não dá para fazer algo diferente. Por isso, temos de ver isto como uma oportunidade”.

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Decor do Webtalk: Tive que adiar o meu casamento com sapatos andIwonder
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Decor do Webtalk: Tive que adiar o meu casamento com sapatos andIwonder

6. O que fazer com as lembranças e o livro de honra com a data inicial?

Dependerá muito da forma como foram feitos. Se tiverem etiquetas, pode-se alterar. Senão, há que tentar reinventar. Tiago diz como, por exemplo, estão a fazer com as datas nas solas dos sapatos andIwonder bridal: encontraram um fornecedor que faz umas plaquinhas que se colocam na sola, por cima da data, sem comprometer a qualidade e esteticamente funcional, parecendo apenas uma personalização. E se as noivas ainda não tiveram nova data, podem colocar outras datas importantes: como o dia em que começaram a namorar, o pedido do casamento, etc.

A verdade é que se vão ter de fazer muitas adaptações, salienta Regina, que deu o exemplo de uma colega de profissão, que tem um casamento em setembro, e que está já a preparar máscaras e gel desinfetante personalizados para oferecer um kit na entrada aos convidados. “Se decidirem fazer os casamentos com restrições, temos de o fazer de uma forma bonita e diferente. E adaptarmo-nos”, salienta.

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Decor do Webtalk: Tive que adiar o meu casamento com sapatos andIwonder

Mais perguntas?

Claro que há mais perguntas, mas sem respostas “É preciso tomar decisões. E a maior preocupação que tenho, neste momento, não é o arranjar soluções para os meus noivos, é mesmo não ter como as arranjar, porque não sei o que vai acontecer. Sem nós sabermos não vos conseguimos responder a muitas perguntas, assim como não conseguimos arranjar-vos outras soluções”, diz Regina, dando o entanto um conselho: “agora que adiamos, não temos de deixar tudo em stand by. Porque é que não podemos ir adiantando trabalho?”

Para assistir ao live no Youtube deste Webtalk clique aqui.

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Decor do Webtalk: Tive que adiar o meu casamento com sapatos andIwonder

Na Zankyou continuamos a apoiar os profissionais do sector e os casais que foram afetados por esta crise causada pelo novo coronavírus, quer através da nossa revista, quer através das nossas redes sociais (IG @zankyou_portugal e FB @ZankyouPortugal) promovendo inúmeras iniciativas, com a colaboração de especialistas das mais diversas áreas do mundo nupcial.

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