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No Tinder ou na vida real, o engate, funciona ou não?

O perfume que nos embriaga, um olhar que provoca um sorriso envergonhado, a publicação de uma foto, os centros de interesse em comum…Que razões existem para seduzir e ser seduzido? São todas elas boas? O que dizer sobre o “engate” hoje em dia? Será um meio eficaz para construir ou viver uma bela relação? A Zankyou falou com três sexólogos franceses, os profissionais Emilie Bachette, Manon Leclerc e Julie-Edith Gauthier. E eis as suas opiniões.

Mary Me. Foto: João Almeida

Com todos os recursos às novas tecnologias e redes sociais, será que se perdeu comunicação entre as pessoas?

EB: Se é verdade que as novas tecnologias facilitam a comunicação em muitos domínios, em contrapartida os contactos humanos são cada vez mais raros. Se nem para comprar um bilhete de comboio precisamos de entrar em contacto com alguém! As redes sociais não diminuem a comunicação, mas tornam-na num meio simples de encontros amigáveis e amorosos, num mundo onde é difícil encontrar o “Outro”. Muita gente não conhece os seus vizinhos, por exemplo, o que seria inconcebível há uns anos atrás. Cada um está centrado na sua vida, no seu trabalho, na sua família, nos seus momentos de lazer. É só olhar para as pessoas no metro, sempre agarradas ao telemóvel, para responder a um email, ler uma notícia, ouvir música, jogar. Já não há espaço para simplesmente apreciar o que está à nossa volta, aceitar o tempo que passa e comunicar com os outros, verbalmente ou não.

ML: As relações de hoje em dia transformaram-se e a utilização de meios tecnológicos trouxeram uma série de benefício. Já não encontramos um homem ou uma mulher apenas no vão da escada ou no bar da cidade! Online é possível encontrar perfis que nos agradam, através da classificação de hobbies e centros de interesse em comum. Há uma selecção já feita e não se perde tempo. Há histórias maravilhosas que nunca aconteceriam sem a Internet.

EJG: Pelo contrário, os meios para nos comunicarmos são cada vez mais acessíveis. Para além disso, nós podemos dar-nos ao luxo de escrever coisas que não ousaríamos dizer, de enviar um texto sem confrontar o olhar da outra pessoa. É uma comunicação menos íntima mas não deixa de ser comunicação. E, de qualquer forma, as pessoas raramente ficam satisfeitas em utilizar apenas este meio.

Mary Me. Foto: João Almeida

Como explicar a vaga crescente de utilização de sites de encontros (Tinder, Meetic..)?

EB: As redes sociais permitem estar em contacto com um número ilimitado de pessoas com quem partilhamos as nossas vidas. No entanto, elas podem estar a dar-nos a ilusão de estarmos rodeado por pessoas enquanto a solidão se instala cada vez mais, sobretudo na juventude. Em relação aos sites de encontro, a moda está nos sites que propõem encontros imediatos, rápidos, eficazes. Muitos dos clientes desses sites querem “consumir” o amor, o mais rapidamente possível e com o maior número de parceiros. Só precisam que os requisitos de atracção sejam preenchidos e os encontros rapidamente se concretizam. É também mais fácil, para certas pessoas, estar escondido atrás do telefone ou do computador para abordar alguém. Esta ferramenta de comunicação torna-se, assim, um escudo contra um eventual sofrimento, a rejeição do outro, mas sobretudo um escudo contra o amor e o compromisso. O risco é menor quando estamos longe do outro. Não corremos o risco de sofrer, mas também não corremos o risco de amar. De qualquer forma, há inúmeras histórias bonitas que acontecem através destes sites!

MN: Na minha opinião, não há grandes diferenças entre o virtual e o real. Há mesmo mais vantagens do que inconvenientes. Cada rede social tem a sua assinatura, a sua cor, uma especificidade e um interesse particular. Uma pessoa que se inscreva num site de encontros pode levar o seu tempo a ver com quem se identifica para não ter uma decepção ou avançar rápido demais. Mas atenção, a linguagem corporal tem um papel importante no encontro com o outro e a sedução deve persistir quando duas pessoas sentem que ali pode estar a começar qualquer coisa. E também é preciso ganhar confiança e ser vigilante, senão os problemas e as decepções acontecem. Para além de que o ciúme é ainda mais relevante nas redes sociais…Uma má interpretação de uma mensagem de texto, um comentário demasiado expressivo, uma emoção transcrita por um smiley…Entretanto, os sites de encontro são muito bons para as pessoas tímidas ou reservadas, que não têm coragem de se lançar numa conversa real. Ao serem honestas, poderão mesmo ter esse traço da sua personalidade a seu favor, pois pode ser verdadeiramente atraente para o outro.

EJG: Os sites de encontros permitem encontrar um grande número de pessoas. A sua grande particularidade é que sabemos desde a primeira troca de mensagens se a pessoa está atraída por nós. Assim, os utilizadores dos sites de encontros não têm de passar por uma etapa muito angustiante: a rejeição amorosa e sexual. No entanto, se não corrermos o risco de nos expormos à rejeição, torna-se difícil de nos comprometermos a longo prazo. Também no início de um relacionamento online é mais fácil controlar o que queremos mostrar ao outro e seduzir com o que temos de melhor. No entanto, todos nós temos diferenças, pelo que aqueles que escolhem esta forma de conhecer alguém acabam por ter sempre relacionamentos amorosos incertos e frágeis. Ao mínimo conflito… é o fim!

Filipe Santos Fotografia

O engate, a sedução, ainda funciona?

EB: O engate é um termo empregue para falar de sedução. O termo é cada vez menos utilizado, como se esta etapa já não fosse útil, sobretudo quando estamos num site de encontros, onde não é necessário “engatar” pois cada um sabe porque lá está. Ou agradamos mutuamente ou não. Isto é eficaz, mas pode retirar toda a magia da sedução, que cria o desejo e a falta que o outro nos faz, para além de deixarmos de acreditar numa boa história. Em última análise, muitos ficam decepcionados nestes sites e as relações efémeras que se criam não são marcantes na vida afectiva dos utilizadores. Apesar destes sites serem muito utilizados, o engate e a sedução ainda existem. Os homens e as mulheres continuam a seduzir e a gostar de ser seduzidos. É importante compreender que quando seduzimos alguém que nos agrada, nós somos nós próprios, abrimo-nos ao outro e isso já é um grande passo para o amor.

ML: Claro que ainda funciona, e cada vez mais! É um meio como outro qualquer para começar ou não uma relação. O engate fará sempre parte da nossa vida! O risco é que a sedução chegue ao fim pelo medo do compromisso. Com efeito, muitas pessoas foram feridas no amor e recusam-se a reiniciar uma história por medo de reviver a mesma dor no coração. No entanto, no fundo de cada um de nós, queremos uma relação estável, relaxada e verdadeira. E quando um casal se forma, cada um pode ser aquilo que realmente é, sendo esta uma parte confortável de quem ama. Mas é importante, e mesmo essencial, divertir-se e continuar a seduzir, porque nada no amor nada é adquirido!

Filipe Santos Fotografia

Uma mulher pode engatar, seduzir?

EB: A melhor forma de engate é sermos nós próprios. Até podemos corar ou perdermos o controlo da situação em frente ao outro, mas não há nada mais aborrecido de alguém que faz tudo na perfeição. Todos nós temos falhas, qualidades, defeitos, e é isso que faz a nossa singularidade.   E é por isso que alguém vai ficar connosco. É evidente e bem natural que uma mulher possa também engatar, seduzir!

ML: A mulher pode evidentemente engatar, é igual ao homem nesse domínio. Claro que se for uma grande sedutora a conotação será um pouco mais negativa, mas a mulher pode utilizar a sua doçura, os seus pontos fortes e o seu charme para seduzir. Actualmente, o homem aceita o primeiro passo da mulher na sedução, pois tudo é mais partilhado. A sedução está em todo o lado, faz parte da nossa vida. Um olhar, um sorriso, algumas palavras… A sedução é um ritual, há um jogo a dois, uma tensão, um ambiente.

EJG: Há homens que até preferem que seja a mulher a dar o primeiro passo. Afinal, é lisonjeador para um homem sentir-se desejado!

Filipe Santos Fotografia

Em resumo, o que podemos reter?

EB: Devemos reter que os sites de encontros têm o seu lugar na sociedade, mas é preciso saber utilizá-los como um meio para novos encontros e não como um meio para “consumir” amor. A sedução é necessária para a construção de um casal e para alimentar o amor todos os dias.

ML: Os sites de encontros revolucionaram as relações. Há certos riscos (mentiras, decepção, enganos), mas tudo depende da forma de lidarmos com isso. É preciso, em todos os casos, caminhar ao encontro do outro e fazer de nós seres extraordinários.

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