Do outro lado da câmara by Cerfoto

Quinze anos a registar o que os olhos não conseguem guardar

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Quinze anos de casamentos ensinam coisas que não estão em nenhum manual, uma delas é simples: o fotógrafo passa o dia inteiro com os noivos.

Mais tempo do que a maioria dos convidados, mais perto do que a maioria da família.

É uma posição singular, e é precisamente ela que obriga Cerfoto a ser bom no que faz.

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O que mudou

Ao longo de todos estes anos, duas coisas foram mudando em paralelo, e não por acaso. Os noivos vivem mais a festa: fruto das mudanças sociais, de uma geração que aprendeu a estar presente nos momentos que importam. E os fotógrafos foram adaptando-se, acompanhando esse movimento, deixando de ser apenas registadores para se tornarem algo mais difícil de nomear.

Testemunhas, talvez. Guardiões do que o dia foi, antes que a memória o reescreva.

"Os olhos das pessoas não mentem. O olhar, e o sorriso verdadeiro no rosto, dizem tudo o que as palavras não chegam a dizer." afirma Cerfoto.

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Há um momento que, independentemente das modas, permanece intocável. A entrada dos noivos na cerimónia, seja ela religiosa ou civil. Existe ali qualquer coisa que a câmara apanha e que o fotógrafo, depois de tantos anos, ainda não consegue antecipar completamente.

É sempre a primeira vez.

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O que não está no contrato

Há uma história que conta com alguma frequência. Uma noiva com um ataque de ansiedade antes da cerimónia, a tremer, sem conseguir acalmar. A família estava lá, mas desapareceu. Ele ficou. Deu apoio, esperou que passasse, e só depois voltou à câmara.

Não é uma situação que alguém preveja,não está em nenhum contrato. Mas acontece, e é bom saber que dá para contar quem está do outro lado.

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Sobre a naturalidade

A maior mentira da fotografia de casamento é a pose - a segunda maior é acreditar que ela não existe. O que um bom fotógrafo faz,  e aqui a experiência é insubstituível, é torná-la invisível.

Começa pela conversa, descontracção, pelos pequenos conselhos dados no momento certo, sem pressão. Mostrar que afinal ficam bem, que a câmara não é um inimigo.

A confiança, essa, constrói-se antes de o obturador disparar.

"Um fotógrafo não pode ser apenas o fotógrafo. Tem de ser um amigo que está ali para registar os momentos." diz Cerfoto.

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A fotografia que não esquece

Entre todas as imagens guardadas em disco, há uma que ressurge quando se pergunta pelo que fica. Um noivo e uma noiva, tensos no início da cerimónia, os nervos visíveis, o corpo rígido, o sorriso ainda por encontrar. E depois: passaram-lhes o filho para o colo, e os nervos, simplesmente, evaporaram.

Um conselho?

Quando os noivos escolhem fotógrafo pelo preço, não discute. O preço é sempre um factor, “sem ovos não se fazem omeletes” menciona entre risos. Mas há outras perguntas que deveriam fazer antes.

Sobre a experiência. Sobre a sinceridade no que realmente pretendem do trabalho. Sobre o planeamento conjunto de todos os detalhes.

E sobre a confiança, essa, sobretudo: o fotógrafo que está presente no dia mais vulnerável da vossa vida não pode ser um estranho com uma câmara.

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Porque continua

Depois de tudo, das histórias, dos nervos, dos momentos que correm mal e dos que surpreendem, fica uma resposta simples para a pergunta mais difícil - gosta de fotografar pessoas em momentos alegres. Em contexto de festa. Casamentos, baptizados, reportagens. 

É assim, sem grande cerimónia, que quinze anos se explicam num único pensamento.

As fotografias que hoje fazemos são a memória que alguém, daqui a trinta anos, vai abrir numa tarde qualquer, e sentir que esteve lá.

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