Quando eu te falei em amor: o real wedding do João Paulo e do Gabriel

“Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?” – Fernando Pessoa

Quem é que nunca viu o seu coração derreter às mãos de um grande amor?

Pois bem, hoje é uma fantástica e maravilhosa história de duas almas gémeas – uma maravilhosa história de amor – que vos trago, e ela fala por si. Aliás, fala ela e falam eles… Vamos conhecer o João Paulo e o Gabriel?

–  O vosso Same Day Edit, foi o meu ponto de partida – o que me fez apaixonar por vocês e pela vossa história – e até à data foi partilhado 122 vezes, atingiu os 907 like’s e recebeu 66 comentários, olhando apenas às estatísticas da partilha feita pelo Hélder Couto – o vosso talentosíssimo fotógrafo – no Facebook. Imaginavam que tomaria esta proporção? Acham que de alguma forma, vocês são um propulsor do abate ao preconceito? Era essa a vossa intenção?

João Paulo e Gabriel: Quando o nosso vídeo foi publicado nas redes sociais, não tínhamos ideia de que ela se ia tornar um sucesso. Estávamos animados e felizes nos dias que se seguiram à publicação ao ver o número de like’s, que aumentou muito rapidamente. Ficamos muito emocionados com os comentários das pessoas. Aceitamos em partilhar este momento de intimidade com as pessoas, para de alguma forma abrir mais a consciência da sociedade para este tema.

– À quanto tempo se conhecem? Como surgiu, de certa forma e se assim o posso dizer, a vontade de oficializarem o vosso laço, o vosso casamento? Sonharam-se noivos?

João Paulo e Gabriel: Nós conhecemos-nos desde 2000 e faz já 15 anos que vivemos juntos. O casamento gay até há bem pouco tempo era proibido em França, e celebramos em 2003 um contrato de união civil para protecção de ambos. Este contrato civil não era, nada como um casamento para nós: uma “cerimónia” de assinatura no Tribunal com dois únicos convidados, testemunhas obrigatórias. Quando Portugal votou o casamento entre pessoas do mesmo sexo, nós pensamos que seria possível então casarmos. Infelizmente, como dissemos, continuávamos num impasse em França, a respeito da matéria, logo não teria qualquer valor legal. Esperamos na esperança que a lei mudasse. Foi em 2013 – o ano da legalização – que tudo se tornou possível para nós e também a altura em que começamos a imaginar o nosso casamento. Era óbvio para nós. Imaginamo-nos muitas vezes no papel de noivos, rodeados por todas as pessoas que amamos.

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– Quem pediu quem em casamento? Ou simplesmente tratou-se da evolução natural do vosso amor?

João Paulo: Quando o casamento gay foi aprovado em França, estávamos de férias no estrangeiro e sabíamos que a decisão deveria ser anunciada nesse 23 de Abril de 2013, pelas 18h – hora francesa. Gabriel assistia às notícias atentamente, a fim de conhecer os resultados. Quando aprovado, ele queria ser um dos primeiros a fazer o pedido e como não estávamos juntos na época, pediu-me em casamento através do Facebook porque ele queria que todos os nossos amigos e familiares fossem informados ao mesmo tempo. Não é muito romântico, não é? Mas tu sabes a resposta…

– Encontraram resistência em familiares, amigos ou profissionais? Colegas de trabalho? Meros conhecidos? Se sim, como lidaram com ela?

João Paulo: Temos a sorte de estar cercados por pessoas que sinceramente nos amam como somos. Do lado da família do Gabriel, eles estavam a par, desde o início. Sempre lidou com isso de uma maneira muito aberta. Da minha parte, as coisas foram feitas de forma mais lenta. Apresentei oficialmente Gabriel como meu namorado primeiro aos meus irmãos e ao resto da família gradualmente. No que diz respeito aos meus pais, eles sempre souberam e sempre o aceitaram. Eles testemunharam a evolução de nossa vida juntos, dos nossos projectos. Mas nunca se atreveram a falar sobre esta situação. Antes do casamento, decidi formalizar as coisas com o meu pai, escrevendo-lhe uma carta a dizer-lhe quem eu era e que o que queria era casar com o homem da minha vida. Eu não podia esperar uma melhor resposta e reacção deles.

Com os nossos amigos e colegas, nunca escondemos a nossa relação e tentamos ser nós mesmos, aceitar quem somos e o que vivemos juntos. Nunca tivemos qualquer feedback negativo, pelo contrário, fizeram a viagem para Portugal, para partilhar este momento connosco.

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– Que procedimentos burocráticos tiveram de seguir para chegarem ao grande dia? Encontraram algum obstáculo? Algum entrave que vos tenha tomado mais tempo?

João Paulo: No nosso caso um pouco incomum (casal franco-português, residente em Madrid que pretendia casar-se em Portugal) imaginamos desde logo que o procedimento burocrático não seria fácil. Gabriel é de nacionalidade francesa, e tivemos de pedir um certificado de capacidade matrimonial no consulado de França em Madrid e enviar para o Consulado de França em Lisboa. Pessoalmente, com a minha dupla nacionalidade, não tive que passar por nenhum processo especial. Uma vez feita e tratada a questão do consulado, começamos então o processo de casamento na Conservatória da Póvoa de Varzim (a cidade onde queríamos casar). Ao longo de todo este trilho, não encontramos quaisquer complicações.

Devemos dizer que, tivemos muita sorte em conhecer Isabel, a Conservadora da Póvoa de Varzim, que nos guiou ao longo do processo administrativo em Portugal, que se envolveu muito na preparação dos textos e que nos casou. Foi absolutamente extraordinária.

– E quanto aos preparativos do casamento? Qual foi a vossa maior dificuldade, assumindo que encontraram alguma?

João Paulo e Gabriel: Quando decidimos casar em Portugal, estávamos preparados para encontrar dificuldades relacionadas com a “especificidade” do nosso casamento. E para sermos honestos, fomos confrontados com um proprietário de uma quinta em Braga que se recusou claramente a colaborar com um casamento gay. Para além deste pequeno “incidente”, que não atenuou a nossa vontade de casar em Portugal, não encontramos outras dificuldades.

Enfim, a nossa amiga Nathalie que geriu todos os preparativos, poderia falar sobre isso melhor que nós.

Encontramos verdadeiros profissionais que não esconderam o seu desejo de participar no nosso casamento, que nos acompanharam e que fizeram com que o nosso dia fosse espectacular.

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– Um casamento heterossexual define-se, na generalidade, por momentos – primeira dança, corte do bolo… Definiram o vosso assim? Esses momentos, esses clichés, tiveram lugar? Seguiram tradições? Superstições?

João Paulo e Gabriel: Claro. Quisemos manter estas tradições, adaptando-as aos nossos gostos e desejos. Além disso, as damas de honra, a entrada dos noivos, a primeira dança, o bolo… Encontraram o seu lugar na organização do nosso casamento.

– Já tocamos ao de leve no nome da Nathalie. Ela foi o vosso “braço direito”?

João Paulo e Gabriel: A nossa amiga mais próxima, a nossa irmã do coração, sempre disse que queria organizar o nosso casamento, se fosse possível. Ela manteve a palavra do início ao fim. Falamos com ela no início deste ano para lhe dizer “queremos casar neste verão, tens seis meses“.

Nathalie cuidou de toda a organização de A a Z: contactos com profissionais, decoração, reservas de hotéis para convidados… Organizou surpresas com a nossa família e amigos!.. Ela também esteve presente em todos os momentos importantes: a escolha dos trajes, alianças, vestidos das damas de honra, o bolo… E também quando fomos a Portugal para a preparação. Sem ela, o casamento não teria sido, pelo menos desta forma. Tudo foi perfeito para nós, não poderíamos pedir mais. Quem melhor do que ela para recriar o que somos no nosso casamento? Estamos muito conscientes de que esses seis meses foram muito intensos para ela e não há palavras para descrever o quanto lhe estamos gratos, por tudo o que ela fez por nós. Ela fez deste dia inesquecível e, especialmente, à nossa imagem.

– Que profissionais colaboraram, e de que forma, para o vosso dia de casamento?

João Paulo e Gabriel: Rui, o proprietário da quinta All Got foi excepcional. A sua sensibilidade e profissionalismo tranquilizou-nos. Ele esteve presente e constantemente em contacto com Nathalie. A sua equipa e aqueles que nós conhecemos através dele, também ficaram muito entusiasmados com a preparação do nosso casamento.

Para o fotógrafo, depois da primeira entrevista e depois de nos apresentar o seu trabalho, a nossa escolha foi imediatamente para o Hélder Couto Photo. A qualidade do seu trabalho, a sua abertura de espírito e sua sensibilidade foram os principais critérios que nos levaram a decidir. Tínhamos a certeza de que nos sentiríamos confortáveis com eles. Fizeram um trabalho fantástico.

– Acham que existem demasiadas “ideias feitas” e “conceitos pré-fabricados” no que diz respeito aos casamentos entre pessoas do mesmo sexo?

João Paulo e Gabriel: Infelizmente sim! Muitas pessoas não pensam por um momento sequer, que duas pessoas do mesmo sexo podem ter um verdadeiro sentimento de amor um pelo outro e podem sonhar em passar o resto das suas vidas juntos. Essas pessoas esquecem-se aquilo que para nós é o básico: que o amor continua a ser um sentimento universal. Estes preconceitos, infelizmente, continuam a existir.

– Mudariam alguma coisa no vosso casamento?

João Paulo e Gabriel: Nada! Pediríamos talvez um pouco mais sol naquele dia!..

– Algum conselho para os casais que nos lêem? Para os casais homossexuais que planeiam casar ou que por algum motivo, receiam fazê-lo?

João Paulo e Gabriel: Nós realmente, não temos nenhum conselho para dar. Tentamos tornar o nosso casamento na nossa imagem, sem barreiras. O casamento é uma oportunidade para reforçar os laços com a família e os amigos. Deixem-se ir, sentir e aproveitem o momento.

Em resumo, nós não imaginávamos ter um casamento assim, tão perfeito. Um dia emocionante, a presença daqueles que amamos, o oficialmente quando nos unimos perante toda a nossa família depois de todos estes anos, a alegria e a festa, tornarmo-nos marido e marido. Imaginem o que esse dia nos deixou, dentro das nossas memórias…

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Hélder Couto Photo

Entrego-vos assim o meu coração, João Paulo e Gabriel – será sempre um bocadinho vosso.

E eles, entregaram-me, e entregaram-vos, o deles.

Perfeito, espero, como perfeito é o vosso amor!.. (Obrigada, por tudo!..)

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Hélder Couto Photo

Ficha técnica:

Recepção e catering: All Got | Fotografia e videografia: Hélder Couto Photo | Animação musical: Fernando Pereira | Pastelaria: A Colonial | Hotel: Villa C Hotel & Spa

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