Algures entre pinhais e colinas, duas mesas vestidas de linho cru esperam sobre a erva. Sem tenda, sem cenário construído, apenas a paisagem tal como é. Untamed Love nasceu desta ideia simples, quase óbvia quando se pensa bem: o amor mais bonito é o que nos deixa continuar livres.
A estrada estreita-se, o pinhal fecha-se sobre a paisagem, e por instantes esquece-se por completo que existe um mundo lá fora com horários e obrigações. O silêncio que se instala é espesso, cheio de resina e de terra quente, e foi nesse silêncio que a cerimónia pareceu fazer mais sentido do que qualquer outra coisa.
Em vez do branco imaculado que domina tantos casamentos, optou-se por uma mesa com linho cru, trazendo consigo a cor da terra, flores de caule comprido, taças de metal polido que devolvem o céu em espelho, e uma postura autenticamente selvagem. Ao centro, o bolo, o único gesto de cor mais afirmativo no meio de uma paleta que, de resto, prefere sussurrar.
Ninguém ensinou o cavalo a posar, e se o editorial tivesse de se resumir a uma só imagem, seria provavelmente esta: o animal que não se domesticou para a ocasião, tal como o amor que ali se celebrava não se dobrou a nenhuma tradição só porque sim.
É talvez nos instantes mais pequenos que Untamed Love encontra a sua verdade mais honesta. Uma testa que se inclina contra a crina de um cavalo, uma mão pousada sem cerimónia, um sorriso que ninguém pediu para se repetir para a câmara. Não há pose clássica de noivos, não há olhar treinado para o objetivo: há apenas dois corpos à vontade um com o outro, e isso, mais do que qualquer vestido ou decoração, é que torna o retrato genuíno.
Também a elegância aqui se despe do que costuma significar. O vestido acompanha o corpo em vez de o disciplinar, o preto do fato conversa naturalmente com o verde escuro dos pinheiros, e os acessórios ficam reduzidos ao que é mesmo preciso. O essencial, quando bem escolhido, dispensa tudo o resto.
Untamed Love não propõe uma paleta de cores nem um conjunto de adereços a copiar. Propõe uma pergunta, talvez incómoda, para quem está habituado a seguir listas e tradições sem as questionar: quanto do que fazemos num casamento é mesmo nosso, e quanto foi apenas herdado sem se perguntar porquê? Este casal escolheu a segunda opção com coragem, deixar que o vento entrasse, que o cavalo se aproximasse por vontade própria, que o dia acontecesse sem um guião fechado a determinar cada minuto.
O que ficou foi somente algo genuinamente vivido, a promessa mais bonita que um casamento pode fazer - não a de amarrar, mas a de libertar.
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