Viajar a dois? 3 aspectos fundamentais a ter em conta

primeira viagem em casal não é uma questão trivial. Sabemos que, muito provavelmente, já está habituado(a) a viajar com a família – em que todos partilham a mesma filosofia – ou com amigos, onde uma viagem tem um toque de uma verdadeira odisseia. Mas o tema da viagem a dois, que hoje propomos abordar, tem muito que se lhe diga.

Com efeito, acostumar-se às idiossincrasias de cada pessoa supõe aprender a ceder e adaptar-se. Por isso, e para falarmos com seriedade sobre este assunto, recorremos à Dra. Arantza Pérez Mijares, especialista em terapia de casal e responsável pelo site Mijares Psicólgos,

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Foto via Shutterstock: zeljkodan

Planeamento

“O planeamento da viagem é algo muito importante, já que começas a viajar e a desfrutar a partir do momento em que começas a planear”, comenta a doutora. Na verdade, o momento do planeamento traz consigo uma boa dose de sonho e a viagem começa com uma base que pode condicionar a experiência futura.

Por isso, em primeiro lugar, é importante saber ouvir e não impor: “Conheça os interesses e os desejos da sua cara-metade e vice-versa”, aconselha Arantza Pérez. Neste sentido, é muito importante chegar a consensos, deixar o egoísmo de lado e aprender a equilibrar interesses. Para isso, “comunique de forma clara, sem ser impositivo(a)”, recomenda.

A especialista também destaca o valor do improviso face aos problemas que possam surgir. Estes, normalmente, rompem com o planning pré-estabelecido e podem gerar confusão. Por isso, Pérez Mijares sugere “manter uma atitude aberta e flexível” e deixar-se levar pelo que possa surgir.

Kalamurzing
Foto via Shutterstock: Kalamurzing

Independência

É verdade que, por questões de espaço, por vezes é positivo usar a mesma mala. Mas Pérez Mijares não considera que esta seja uma boa solução, apesar de salientar que a mala individual deva ser coerente com a viagem que se irá fazer. Segundo a especialista, não é demais manter uma certa intimidade e preservar a “magia”, pois nem sempre é positivo partilhar tudo.

Neste âmbito, é conveniente ter noção de que cada pessoa é um mundo e que, apesar do vosso amor, vocês são pessoas distintas e independentes. “Cada um tem uma maneira de ser diferente, expectativas distintas e uma forma de viajar absolutamente pessoal”, acrescenta, pelo que é positivo estabelecer esses limites sem, por isso, renunciar uma aventura espectacular em casal.

Também não é preciso que façam exactamente o mesmo. Num museu, por exemplo, quem sabe não aprecia mais uma pintura do que outra e prefira dedicar-lhe mais tempo do que a outro quadro que deslumbre o/a seu/sua parceiro/a; quando vão conhecer um lugar, poderá preferir falar com os locais, enquanto o seu parceiro(a) se predispõe a tirar fotografias. “Não são siameses, por isso não é necessário que andem juntos para todo o lado, nem que façam as coisas exactamente iguais”, assegura Pérez Mijares. E reforça a teoria sobre a independência: “Precisam de momentos para estar com vocês mesmos. Um pouco de independência é muito saudável quando pensam em viajar”, conclui a doutora.

Poprotskiy Alexey
Foto via Shutterstock: Poprotskiy Alexey

Comunicação

Como especialista em terapia de casal, a Dra. Arantza Pérez Mijares adaptou a sua experiência e conhecimentos neste âmbito ao tema das viagens, que acabam por ser momentos da vida em casal que se podem revelar muito mais especiais e complicados do que o próprio dia-a-dia. Como estamos a falar de dias muito específicos, ambientes diferentes e probabilidades de ocorrência de situações peculiares, a comunicação é vital e deve ser tratada com muito cuidado. “Comuniquem de forma clara e eficaz e não empreguem a ironia”, aconselha a psicóloga. Por seu turno, o bom humor também é determinante e dá alegria a qualquer momento da vida, sobretudo numa viagem. Para além disso, pode ajudá-lo(a) a superar os piores momentos, como uma interminável espera ou falta de determinadas comodidades. Uma viagem é algo único e não merece nenhum jogo que possa levar a equívocos.

Para além disso, Pérez Mijares ressalta a importância de ter tacto e analisar cada situação. Para isso, acrescenta: “Não é necessário que diga tudo o que pensa no momento em que o está a pensar. O cansaço, o calor ou a fome podem pregar-nos uma partida. Pense e avalie o seu estado emocional antes de falar, pois evitará discussões inúteis.” Com efeito, há situações que provocam stress e que nos podem levar a tomar más atitudes. Lembre-se de que, como já o dissemos muitas vezes na Zankyoua convivência em viagem é determinante, pois revela muitos dos traços da personalidade das pessoas que até então eram desconhecidos.

Pikoso.kz
Foto via Shutterstock: Pikoso.kz

Pronto(a) para a sua primeira viagem em casal? Sem dúvida que se trata de um momento de conexão inigualável. Aproveite as suas virtudes, adapte-se e desfrute de cada momento.

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