O que fazer quando o seu parceiro/a arranja um emprego no estrangeiro? Conheça os conselhos de uma expert!

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Mesmo que existam decisões muito difíceis de serem tomadas, o amor conjugado com a emoção e sensatez tem força e poder para resolver qualquer dilema.

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Ao longo de uma relação existem momentos para tudo. Mesmo que a felicidade seja (ou devesse ser) a máxima de qualquer casal, por vezes, a realidade inclui alguns períodos menos bons e implica que duras decisões sejam tomadas. Imagine, por exemplo, que o seu companheiro ou companheira arranja um trabalho no estrangeiro. O que é que faria? Para ajudar os possíveis casais que atravessam uma fase deste género nas suas vidas, a Zankyou esteve à conversas com a Dra. Esther Arias, psicóloga, sexóloga e perita em terapia para casais, explica o que se sucede, assim como, o que se deveria fazer neste tipo de situações.

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Marco Torre Photography

Como enfrentar a situação

Antes de começar a desesperar e a prever o pior, o mais importante é analisar racionalmente a situação: “A duração do período que o nosso parceiro/a terá de se ausentar, filhos, recursos económicos para o/a visitar e a distância do destino são os principais factores a ter em conta”, afirma a Dra. Esther Arias. A distância e o tempo são, de facto, aspectos com vital importância, pois é completamente diferente que ele/ela esteja no outro canto do planeta ou num país que não implique uma grande diferença de horas e inversão de dinheiro.

Se a estadia é permanente, há outros factores que entram em cena, como os valores e a maturidade. De acordo com Esther Arias, uma decisão com estas características obriga-nos a comportamo-nos como adultos: momentos em que temos de aprender a ceder ou a renunciar para facilitar a situação que já é complicada por si, pois “ponderar o contrário seria uma regressão a um estágio infantil, onde quero tudo para mim e não tenho que abdicar de nada”. Para além disto, antes de chegarem a uma conclusão e acordo, a psicóloga tem em conta outros aspectos: “ter a certeza de que a estadia será permanente, perspectivas de futuro a longo prazo com ele/ela, que a cultura e sociedade desse país seja compatível com o estilo de vida que cada um dos elementos do casal quer fazer, se há a vontade de ter filhos; portanto, falamos de valores e formas de vida de cada um.”

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Pormenores se não se vai mudar

Segundo a psicóloga Esther Arias, há ainda outros factores que podem advir desta situação como “o surgimento de inseguranças e ciúmes; a necessidade de aprender como utilizar as tecnologias, como as redes sociais, Skype e outras formas de comunicação à distância; a ansiedade provocada pela incerteza da duração do período que terá de ficar no estrangeiro e, consequentemente, não saber como se organizar; a dificuldade de adaptar-se a esta nova situação que se avizinha; a falta de apoio (família, amigos, …) ou a presença de impotência e irritabilidade em caso de não ser possível de ver a pessoa especial”.

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Conselhos se não se vai mudar

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Se decide que não é possível acompanhar o seu companheiro ou companheira pela sua breve estadia no estrangeiro ou porque o seu trabalho não o possibilita, existem várias formas de agir para que tudo corra bem. De acordo com Esther Arias, “é necessário ver esta situação como uma oportunidade para ser consciente do tipo de relação que têm. Paralelamente, têm, também, de estar ciente de que, como qualquer mudança e especialmente ao início, pode haver momentos e estados de tristeza e saudade. Assim, é importante aceitar que a circunstância pela qual está a passar é algo natural e continuar a seguir a sua vida, fazendo a sua rotina diária e rodeando-se das pessoas que transmitem energias positivas”. Juntamente com este conselho, a psicóloga, perita em Mindfulness, propõe que medite cerca de 10 minutos por dia para aceitar e enfrentar esta situação, tomando, simultaneamente, as melhores decisões.

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Por outro lado, uma separação deste género acontece, na maioria dos casos, devido a uma razão positiva. A sua mudança deve-se a causas de trabalho e, assim, existe uma grande panóplia de factores, que de acordo com Esther, beneficiaria o casal graças a um novo projecto, da mesma forma, que melhora a condição económica, a oportunidade de conhecer outro país e a descoberta de uma nova realidade e cultura. Para além de tudo isto, estas mudanças servem para “interpretar a situação como uma oportunidade para perceber a diferença entre “sentir saudades dele/dela” e “depender emocionalmente do meu companheiro/companheira”, partilha a psicóloga, baseando-se na diferença que determina muitas relações.

Em contrapartida, a Dra. Esther Arias considera, ainda, que esta é uma prova importante para aprender em todos os âmbitos da vida, desde o mais prático (tecnologias que permitem a comunicação à distância, redes sociais, …) até aos assuntos mais fulcrais da própria relação, nomeadamente, os objectivos comuns e distintos. 

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Esther Arias aconselha, ainda, a olhar para o lado positivo desta separação, de modo a criar uma certa fantasia: “Planear com ele/ela a próxima visita e falar dos planos, de forma a motivar e a facilitar a superar as inseguranças que a distância poderá, eventualmente, causar”.

Uma prova para a relação

Mesmo que tudo esteja a correr bem, alguns casais revelam-se quando se distanciam algum tempo. “Este tipo de situação pode colocar a relação em prova, já que o ideal é ter uma proximidade física num pequeno período de tempo e espaço. Pode trazer à superfície alguns aspectos da relação que estavam até então ocultos e revelar muitas características individuais, em muitos casos, desconhecidos pelo outro membro do casal”, afirma Arias.

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Desta forma, a psicóloga apoia-se na Teoria Triangular de Sterneberg sobre o amor consumado (o amor mais perfeito) para explicar a sua perspectiva sobre a distância. Caso se verifique um equilíbrio entre o compromisso, intimidade e paixão (amor consumado), conceitos que nos remetem para os três pilares das relações e que melhoram significativamente o futuro. Quando se verifica outro tipo de amor, como o romântico, a teoria afirma que a sobrevivência da relação é mais complicada e, às vezes, até impossível.

Emoções ou racionalidade? 

“Não se trata de dar maior ou menor importância  à emoção comparativamente à razão, ou vice versa. Trata-se de conjugar ambas para tomar as decisões mais acertadas e adaptar-se à situação da melhor forma possível, sem que ocorra um desgaste emocional” comenta Esther Arias. De facto, existe toda uma semelhança com outros tipos de decisões em casal. Se ouvirmos simplesmente a razão, falta uma grande e importante parte emocional, que de certa forma, é muito relevante. Se por outro lado, deixamo-nos levar pelos impulsos não é positivo, pois “podem levar-nos a tomar uma decisão baseada na nossa idealização mais profunda do romance, do outro elemento do casal e da dependência emocional e/ou dos seus medos internos”.

Mais uma vez, a sexóloga recomenda a meditação, pois permite “viver o momento presente e aceitar a realidade; ser consciente de como os nossos pensamentos negativos perturbam as nossas emoções, corpo e vida diária; assumir as mudanças que se verificam, tanto a nível pessoal como amoroso, com serenidade.” Para reforçar o valor destes exercícios, Esther partilha que é positivo e benéfico analisar a situação de outra perspectiva, de modo a ser possível observar os nossos sentimentos de uma forma mais objectiva. “A sabedoria do seu humano consiste precisamente nisto: alcançar um equilíbrio que nos conduz à liberdade“, conclui.

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Se se encontra numa situação em que tem de tomar uma decisão que vai ao encontro de todas estas características, tenha em conta estes conselhos e considerações para que consiga assegurar a viabilidade da sua relação. Pode ser complicada, mas é possível e vocês conseguem superar a distância! Se é a pessoa que se vai mudar, aja consequentemente e seja consciente!

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