"Eu não quero ter filhos": argumentos para entender mais e julgar menos

Embora acreditemos que as nossas decisões devem ser respeitadas, a decisão de não ter filhos permanece controversa e, acima de tudo, difícil para os membros da família aceitarem. Muitos homens e mulheres são julgados e subestimados quando expressam esse desejo ao parceiro, à família ou a outras pessoas que não compartilham da sua opinião, principalmente se esse iniciativa partir do elemento feminino do casal.

Foto: Efeito Espontâneo Photo

Muitos não revelam essa intenção aos seus pais, que estão ansiosos por ser avós e esperam que isso aconteça um dia. Da mesma forma, quem toma essa decisão sabe que poderá causar imensa tristeza e até deceção, o que gera uma enorme pressão ou dificuldades na vida conjugal e familiar dos recém-casados. Conheça os 8 motivos para casar jovem.

Foto: João de Medeiros

Com base nesses factos, é necessário que as famílias saibam o que paira nas mentes de muitos namorados ou casais e por que motivo tomam essa decisão de vida. Neste artigo, damos-lhe a conhecer os argumentos mais relevantes desses casais e como compreendê-los.

1. É uma decisão de vida, não uma fase de vida

Existe uma perspetiva cultural de que ter filhos é uma “fase” da vida, como a infância ou a puberdade e a velhice e isso faz com que as pessoas, no geral, assumam que “todos” passam ou “devem” passar pelo mesmo estágio. No entanto, há casais que não compartilham dessa perspetiva cultural como um estágio, mas como uma decisão de vida, que podem optar por tomar ou não. Além disso, existem muitas experiências que podem ter antes de pensarem em ter filhos.

Foto: Por Magia Photography

2. “Não me sinto identificado”

Enquanto a maioria das pessoas cresce com a ilusão de ter filhos e viver a maravilhosa magia da paternidade e amor maternal, outros simplesmente não se sentem identificados com esse sentimento e não o consideram determinante para a sua felicidade. Por vezes, as pessoas culpam esses jovens ou adultos por serem “imaturos” e por terem esse ponto de vista, o que gera desconforto no seu senso de autodeterminação e autoconfiança.

Foto: 1Love4ever Photography

3. “Não é a única missão pela qual viemos ao mundo”

Muitas pessoas concordam com a ideia popular generalizada de que, se uma mulher não tem filhos, ela não é uma mulher. Isso significaria que elas não têm outra missão mais importante na vida do que procriar, mas os casais que não tencionam ter filhos não partilham dessa premissa.

Embora o facto de dar a vida seja uma experiência única, sublime e transcendente para as mulheres e os seus parceiros, não podemos negar que outras missões, como fazer grandes contribuições à ciência ou às artes, ou realizar qualquer um outro objetivo, seja algo que também valha a pena fazer.

Foto: Jaime Neto Photography

4. “A maternidade é uma extensão da feminilidade, mas não a sua definição”

Apesar de concordarmos que a maternidade não é sinónimo de feminilidade, há quem pense que uma mulher não é mulher se não for mãe. Por isso, às vezes, quem não teve filhos sente-se subestimado enquanto mulher.

Quem não quer ser mãe consegue, obviamente, imaginar a experiência fantástica que isso pode ser. No entanto, estas mulheres encontram a sua realização plena, concentrando-se totalmente nos seus objetivos, projetos, sonhos e paixões. Elas sentem e, provavelmente, contemplam uma missão que as preenche e as faz felizes. Portanto, elas não se veem numa missão diferente, como a maternidade.

Foto: Efeito Espontâneo Photo

5. “É o sonho de muitas pessoas, mas não é o meu”

Jovens e adultos de diferentes idades recebem muitas respostas como: “vais mudar de ideias”, ou “isso é egoísmo”. Consequentemente, estas afirmações geram sentimentos de confusão em relação aos objetivos de vida e pode levar até a que estas pessoas pensem que há algo de errado com elas. E é comum sentirem-se perdidas, o que as faz sentir pressionadas a dizer que querem tê-los, quando na verdade não é bem assim.

Foto: 1Love4ever Photography

A realidade é que esses homens e mulheres, na maioria dos casos, não veem como uma prioridade abandonar a maternidade ou a paternidade. Pelo contrário, eles têm outras razões, muito mais desinteressadas, que explicamos abaixo.

6. As razões mais difíceis de explicar

Esses casais ou indivíduos têm fortes pontos de vista sobre esta questão: por exemplo, o risco de transmissão de doenças hereditárias, ou de vir a correr algum risco de vida, no caso das mulheres. Também é uma preocupação comum a causa da sobrepopulação do planeta e, acima de tudo, o acesso a recursos suficientes para dar à criança o que ela precisa.

Confrontadas com esses argumentos, muitas pessoas respondem-lhes que “onde comem dois, comem três”, mas estes homens e mulheres veem na maternidade e na paternidade não apenas uma responsabilidade, mas uma experiência que deve ser planeada e desejada. Na verdade, muitos desses casais contemplam a adoção num determinado momento da vida e consideram que não precisam da biologia para formar uma família.

Foto: Helder Couto Photo

O que fazer…

Concordamos que o valor de um ser humano não deve ser avaliado pelo facto de ter um filho ou não, até porque a sua existência tornar-se-ia apenas um meio para um fim. É a escolha de cada um abraçar ou não a maternidade ou a paternidade, uma vez que isso não determina a dignidade ou a idade adulta das pessoas.

Foto: João Almeida

É importante ser tolerante e compreensivo, de modo a que o casais que tomam essa decisão possam desenvolver o seu casamento da forma mais que considerarem mais correta. Não nos esqueçamos de que todos os seres têm plena liberdade para serem felizes à sua maneira e escolher, sem pressão, a direção que querem dar à sua vida.

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