Parece que se anda a fazer menos sexo... e a culpa é da tecnologia!

O jornal Archives of Sexual Behavior publicou recentemente mais um estudo que corrobora a ideia de que hoje em dia se faz menos sexo do que há uns anos atrás. Já o ano passado o mesmo jornal divulgou um estudo surpreendente, conduzido por investigadores da Universidade da Florida Atlantic (EUA), que concluiu que a actual geração nascida entre 1980 e 2000 (designada “Millenials”) – e apesar da inegável maior liberdade sexual dos dias de hoje e da pretensa reputação de sexo casual – faz, na realidade, menos sexo do que as gerações anteriores. Neste novo estudo agora publicado, o argumento acaba por ser reforçado, percebendo-se que as mudanças sociais e culturais que ocorreram nos últimos anos determinaram um visível declínio ao nível da sexualidade entre os casais.

O Estudo

O estudo incluiu dados de 26000 adultos, tendo comparado a actividade sexual dos americanos no final da década de 1990 até ao início de 2010. A conclusão é de que houve um decréscimo: na década de 90 os americanos faziam, em média, sexo entre 60 a 65 vezes por ano, enquanto que agora o número desce para 53.

De qualquer forma, e apesar de todas as quedas, nem tudo foram más notícias: o grupo etário que não deu sinais de diminuição e que, pelo contrário, aumentou o número de relações sexuais por ano, corresponde às pessoas com mais de 70 anos. A contrariar as expectativas, os casais mais idosos fizeram mais sexo em 2014 (11 vezes) do que em 1990 (9.6 vezes)!

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Menos sexo entre os casados

O declínio abrange pessoas de todas as idades, estado civil, géneros, etnia, tipos de relacionamentos, região onde moram e países, mas os que parecem ter sido mais afectados são os casados. Isto porque – e apesar dos mitos em torno do casamento dizerem o contrário – as pessoas casadas (ou que vivem juntas) geralmente fazem mais sexo de forma consistente do que os indivíduos solteiros, pois além do acesso mais fácil têm uma relação estável. Mas, segundo este estudo, esta vantagem está também a decair, sendo que as pessoas casadas tiveram em média 56 relações sexuais em 2014, contra as 67 de 1989.

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O estudo identificou também o facto de existir um maior número de solteiros entre as pessoas na casa dos 20 anos, pelo que fazem menos sexo, pois têm relações menos estáveis. Com efeito, a percentagem de americanos entre 18 e 29 anos que não vivem com um parceiro (casado ou solteiro) aumentou de 48% em 2005 para 64% em 2014.

Provavelmente tal tem a ver com o facto dos “30” serem os novos “20”. Quer saber porquê?

Porque é que se verificou este declínio?

No estudo, as causas não são totalmente claras, mas para o autor do mesmo, Jean Twenge, professor de psicologia da Universidade Estadual de San Diego e autor do livro “Generation Me”, as razões estão relacionadas com o facto de haver menos pessoas com parceiros estáveis, verificando-se paralelamente que as que têm estão a ter relações sexuais com menos frequência. Assim, verifica-se que há mais solteiros – o que significa menos sexo – e observa-se a tendência dos casais que sobem ao altar fazerem menos visitas ao quarto!

De qualquer forma, um outro estudo dos mesmos autores aponta as mudanças culturais que ocorreram nos últimos 20 anos como eventuais culpadas do declínio sexual, entre as quais se destacam o desenvolvimento da Internet e das redes sociais, os videojogos e streaming de video. Na prática, isto quer dizer que as pessoas em vez de fazerem sexo passam demasiado tempo agarrados ao computador, tablets e aos smarthphones, entretidos no Facebook e a ver Netflix.

Para o professor de sociologia da Universidade do Texas, Mark Regnerus, que apesar de não ter participado neste estudo já tem livros publicados sobre o tema, esta última constatação parece ser uma explicação válida para os resultados, pois é só olhar ao nosso redor para ver que “as pessoas durante um jantar parecem estar mais interessadas nos telefones que têm à sua frente do que na pessoa que está ao seu lado”, concluindo que, obviamente, o sexo irá também sofrer consequências.

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Outras razões das (muitas) apontadas estão relacionadas com demasiadas horas no trabalho e a pornografia, que parecem ter um peso significativo nos resultados.

Vale a pena ficarmos preocupados?

Os dados não são positivos, mas também não são assim tão assustadores. De qualquer forma, são razão suficiente para ficarmos atentos aos nossos comportamentos. A verdade é que os estudos dizem – e nós sabemos! – que uma vida sexual activa, além de beneficiar o desenvolvimento emocional e afectivo, pode tornar-nos mais felizes e traz-nos muitas vantagens ao nível da saúde, para além de nos motivar para o trabalho.

Por isso, talvez seja melhor deixar o Facebook de lado de vez em quando. Desligue-se um pouco da tecnologia e “ligue-se” à pessoa que tem ao seu lado!

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